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- João Só e Abandonados no Festival Expolima - dia 13 de agosto
João Só e Abandonados no Festival Expolima - dia 13 de agosto
Festival Expolima - dia 13 de agosto - 22h
O tempo é ameno e as gentes brandas mas árdua a tarefa de fazer um disco popular. Pop, para os sintéticos. E se o país oferece terra quente e céu limpo é nas coordenadas interiores que o nevoeiro provoca fantasmas: António Variações, Rui Veloso, José Cid (que apareceu antes e depois, o verdadeiro espectro atemporal). João, talvez por ser Só, não tem nada a perder. Coube-lhe o infortúnio de cantar bem, juntar estrofe, refrão e ponte e saber tocar a guitarra que segura. Que não espere facilidades por semelhante desassombro.
Lá fora, nos países menos ensolarados, o costume não é condenável. Ninguém se consome de culpa por ouvir na rádio uma canção que fica na cabeça para o resto do dia (mas lá está, provavelmente a assoalhada está habitável). Os tribunais não criminalizam o assobio e não amnistiam os taciturnos. João Só põe-se então lusitanamente a jeito. Em onze, quatro canções são baladas: quem julga ele que embala? Em onze, três canções têm Amor no título: quem julga ele que ama? Das onze a última chama-se "Canção do Isqueiro": quem julga ele que ilumina?
Há um cantor com fôlego, solos de guitarra, baterias insufladas, órgãos retrógrados, segundas vozes, palminhas certas e, blasfémia contemporânea, um piano limpo (sem trejeitos coldplayanos). E rimas. E o conveniente tema único - boy meets girl e toda uma consequente série de chatices. A ausência de revoluções estéticas equivale aqui ao escândalo de um disco sem bolor. Prontíssimo a consumir. Só o Céu sabe de prazos de validade (de qualquer modo o rock nunca foi a banda sonora da Eternidade). Por fim, João Só junta-se a gente suspeita. O produtor, Jorge Cruz, conhecemos das Guerras pela Independência da década de 90 e das novelas. Os microfones são postos por Nelson Carvalho na mais velha gaiola insonorizada da Nação, sita nos Estúdios de Paço de Arcos. Não admira o nome da banda que o acompanha. Abandonados é o risco para aqueles que por aqui singram na ingrata tarefa de pôr uma canção a fazer pop.
Tiago Guillul - Flor Caveira
Para mais informação, consulte os websites:
Consulte a biografia dos grupos presentes no Festival Expolima 2011.