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Ponte-limense Manuel de Figueiredo evocado em palestra de tributo
A investigadora responsável pela confirmação da naturalidade ponte-limense de Manuel de Figueiredo (1725-1801) esteve na passada sexta-feira, 4 de maio, na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima para uma palestra versada no dramaturgo – figura ímpar da cultura portuguesa setecentista. Intitulada “Manuel de Figueiredo: de Ponte de Lima a Lisboa, um teatro invisível”, a sessão orientada por Maria Luísa Malato revisitou o trajeto de vida do singular autor, que beneficiou da proteção do Visconde de Vila Nova de Cerveira - em cuja casa o pai trabalhava como criado de guarda-roupa - para obtenção de uma educação exemplar aprimorada na Congregação do Oratório, em Lisboa, conhecida pelo seu pioneirismo pedagógico.
Para lá do exercício de funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Guerra – cargo diplomático que vale a Manuel de Figueiredo a Cruz da Ordem de Cristo pelos serviços prestados em prol da coroa - mormente pela importante participação na ratificação do Tratado de Madrid - a docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto sublinhou a passagem pela Arcádia Lusitana – agremiação literária que falha no seu intento reformador -, mas sobretudo a tentativa de renovação das letras e da dramaturgia.
Para Maria Luísa Malato - cuja carreira se tem pautado por trabalhos de investigação de personalidades que mais ninguém pesquisa – a cruzada de Manuel de Figueiredo pela beneficiação do teatro enquanto género impulsor da educação e da formação cívica da sociedade coeva traduz o seu maior legado, mas também o infortúnio de alguém que não escreveu para o seu tempo. A docente lembrou o fiasco da única peça levada a cena pelo malogrado dramaturgo - “Os perigos da educação”, cujo propósito didático, mais do que incompreendido, foi severamente ridicularizado pelo público - e destacou a posterior restrição da pena ao anonimato, decisão decorrente da indiferença coletiva pelo seu trabalho e do desterro do Marquês de Pombal a quem estivera, de certa forma, ligado.
Fascinada pela singularidade de uma figura que, no derradeiro período de vida, abandonou a tentativa de agradar os outros, escrevendo para si - “com a liberdade que a gaveta dá” -, Maria Luísa Malato lembrou ainda um elemento verdadeiramente precursor à luz do pensamento setecentista – a preocupação de Manuel de Figueiredo com a invisibilidade da mulher ostracizada por uma sociedade patriarcal e sexista.
Em jeito de remate de uma palestra que, além de reforçar a naturalidade ponte-limense do dramaturgo, evidenciou a sua relevância na história do teatro português, Maria Luísa Malato, responsável pela obra “Manuel de Figueiredo: uma perspectiva do neoclassicismo português” – título existente na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima -, sugeriu a leitura dos 14 volumes de “Theatro” - coligidos pelo irmão do autor, Francisco Coelho de Figueiredo - que se encontram disponíveis em suporte digital na Biblioteca Nacional (http://purl.pt/11977).