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Apareceu a Margarida | Baal17 – Companhia de Teatro
Sábado, 24 de março, no Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima, será apresentado o espectáculo de teatro Apareceu a Margarida, de Roberto Athayde, pela Baal17 – Companhia de Teatro, com Encenação e Dramaturgia de Clovis Levi e Interpretação de Bárbara Soares, Filipe Seixas, Rui Ramos e Sandra Serra.
A professora Dona Margarida vai dar a sua primeira aula a uma turma da quarta classe (os próprios espectadores). A Dona Margarida é imprevisível, autoritária, sádica e maternal. Ela dá uma verdadeira anti-aula demonstrando que, às crianças, só resta obedecer, serem inexpressivos, impotentes e não terem nada a dizer. Dona Margarida retrata, com uma fúria avassaladora, os regimes totalitários que se multiplicam neste século XXI.
Dona Margarida alerta para a existência de linguagem susceptível de ferir as almas mais sensíveis.
Apareceu a Margarida estreou no Brasil em 1973, na ditadura militar. Sem ser percebida pela duríssima e muitas vezes ignorante Censura (que chegou a invadir um teatro no Rio de Janeiro para prender Sófocles!), Margarida teve permissão para ser encenada por tratar-se, apenas, “de uma professora maluquinha e engraçada”. A percepção da plateia de que aquela sala de aula era o Brasil dominado pela repressão e pela tortura, aliada à alta qualidade do texto, à riqueza contida na poderosa encenação de Aderbal Jr. e na surpreendente performance da actriz Marília Pêra, deu à peça todos os prémios da temporada e permitiu o início de uma carreira internacional: o texto já foi encenado em mais de 30 países, incluindo Estados Unidos e França. Roberto Athayde foi muito hábil: ao transformar os espectadores nos alunos de Dona Margarida, o formato “monólogo” ganhou outra dimensão e ampliou a sua capacidade de comunicação. A peça vale-se de outro trunfo: a personagem de Dona Margarida, uma mulher delirante, complexa, contraditória, sádica e maternal – que surpreende sempre o público ao conviver o tempo todo com o inesperado. Os temas estão lá: o poder, a repressão, a manipulação, a sociedade e suas contradições. Nada mais actual. Outra riqueza do texto é o seu humor arrasador.
A Encenação: “Século XXI: o mundo vive uma fase aguda de intolerância, destacando-se a intolerância política, a intolerância religiosa e a intolerância sexual. O espectáculo discute estas questões baseando-se no potencial histriónico da professora Margarida. Damos-lhe uma multiplicidade, pois o Poder, a Repressão e a Intolerância têm diferentes faces, diferentes estilos, diferentes discursos. Por isso, a Personagem é feita por quatro actores – homens e mulheres de diferentes gerações.” (Clovis Levi)
Bilhetes à venda (3,00€) e mais informações no Teatro Diogo Bernardes, pelo telefone 258 900 414 ou pelo email teatrodb@cm-pontedelima.pt.