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Ponte de Lima ou Ponte do Lima

Aparece escrito de modos diferentes o nome da nossa terra: Ponte de Lima e Ponte do Lima.

A mais antiga grafia do nome deste concelho, e a única usada durante séculos, é Ponte de Lima.

A grafia Ponte do Lima conquistou, no entanto, algum número de seguidores a partir de meados do século dezanove.

Tanto os que são de opinião que se deve escrever Ponte de Lima como os que preferem Ponte do Lima alegam a seu favor a linguagem popular. Ambas as maneira de dizer se ouvem, de facto, na região, embora seja mais frequente a forma Ponte de Lima.

Aduzem-se, igualmente, a favor de uma e outra forma, os testemunhos de vários escritores, do século passado e do presente, pelo que também este argumento não serve para dirimir a questão.

Uma outra razão, apresentada com frequência, é de ordem lógica e gramatical. Os que defendem a forma Ponte do Lima dizem que a palavra Lima designa o rio e é do género masculino. Os que, pelo contrário, preferem Ponte de Lima dizem que Lima é o mesmo que Límia, designação hoje em desuso nas terras portuguesas, a qual englobava a região atravessada pelo rio, que por isso se chamou também "rio de" ou "rio da" Límia ou Lima, antes de se dizer simplesmente "rio Lima".

Não se pode negar fundamento e valor a estes argumentos apresentados em defesa de uma e de outra forma. Isto é, a pronúncia popular, a maneira de escrever dos autores dos últimos dois séculos e as razões de ordem lógica ou gramatical tanto podem abonar a favor de PONTE DE LIMA como a favor de PONTE DO LIMA.

Se o quisermos aceitar, resta um caminho pelo qual podemos enveredar para encontrar a solução do problema: o caminho da história, que consiste em saber como se foi designando e escrevendo o nome desta terra no decorrer dos tempos. Se alguma dessas formas precedeu ou se impôs sobre as outras, essa é a que devemos utilizar.

A primeira designação com que a nossa terra aparece referida nos documentos é simplesmente "Ponte"; assim acontece, por exemplo, no foral de D. Teresa, onde a rainha estabelece: "Placuit mihi ut faciam vilam supra nomimato loco Ponte cautum", isto é, "aprouve-me tornar couto a vila situada no referido lugar de Ponte".

A mais antiga referência documental onde a nossa terra é mencionada pelo seu nome composto, em que entram as duas palavras PONTE e LIMA, talvez seja a das Inquirições de 1258. A abertura do capítulo relativo ao julgado que então abrangia a parte norte dos atuais concelhos de Ponte de Lima e Viana do Castelo é esta: "Item in Judicatu de Ponte de Lima". E, embora ao chegar á vila, se diga simplesmente, aliás em mais correto latim, "Item in vila de Ponte Limie", já na inquirição relativa à freguesia de Orbacém (Sancta Ovaya de Arvazani), situada no julgado de Caminha, se encontra a seguinte passagem: "quando el Rey vem a Ponte de Limia et quer corer monte, vam pora ele cum caes et cum azcunas et cum cornus, et andam cum elrey" (quando El Rei vem a Ponte de Lima"...).

Passando da documentação de ordem geral à que diz exclusivamente respeito ao nosso concelho, podemos folhear os pergaminhos do Arquivo Histórico Municipal de Ponte de Lima.

O mais antigo documento aí existente é a carta de D. Afonso IV, dada em Santarém, a 17 de maio de 1326, a confirmar o foral, os bons usos e costumes do município; diz assim, numa passagem, a breve carta, redigida no português da época: "faço saber que eu querendo fazer graça e mercê ao Concelho de Ponte de Lima outorgo lhi e conffirmo seu foro".

De igual modo se exprime idêntica carta de confirmação, passada pela infanta D. Branca, em 9 de Fevereiro de 1332: "faço saber que eu querendo fazer graça e mercê ao concelho de Ponte de Lima outorgo lhi e conffirmo seu foro".

No pergaminho n.º 3 do mesmo arquivo, uma longa carta de sentença, dada por D. Pedro I, em Leiria, a 30 de maio de 1360, pondo fim à querela entre o concelho de Ponte e os moradores da terra de S. Martinho, sobre o pagamento de fintas e talhas, o nosso concelho é repetidas vezes mencionado com a designação de "Ponte de Lyma".

O pergaminho n.º 4, igualmente extenso e constituído por uma carta de sentença, dada por D. Fernando, em 12 de setembro de 1368, solucionando nova querela sobre a mesma matéria, entre o concelho de Ponte e os seus moradores de S. Martinho, contém múltiplas repetições do nome "Ponte de Lima".

Com esta amostragem, iniciada pelos documentos mais antigos, dispensamo-nos de passar em análise, um a um, todos os 75 pergaminhos do valioso Arquivo Histórico do nosso município, na maior parte dos quais se encontra o nome da vila ribeirinha ou do concelho escrito sempre de maneira que corresponde a PONTE DE LIMA e nunca, mesmo nunca, a "Ponte do Lima".

Não podemos ter a pretensão de conhecer, nem sequer por alto, toda a documentação posterior referente ao nosso concelho. Mas em toda a que passou debaixo dos nossos olhos, nunca encontrámos, pelo menos até meados do século XVIII, a forma "Ponte do Lima". Na documentação relativa ao mosteiro de Vitorino das Donas, nos séculos XIV e XV, registe-se por mera curiosidade que o rio até aparece algumas vezes designado no feminino - rio da Lima -, o que, na lógica dos defensores do nome da nossa terra com artigo a seguir ao "d", obrigaria a que se dissesse "Ponte da Lima"!

Nunca, em toda a documentação anterior às últimas décadas do século XVIII, encontrámos a forma "Ponte do Lima".

PONTE DE LIMA é, por conseguinte, historicamente, a maneira mais correta de escrever e dizer o nome da nossa terra.

1326.05.17, Santarém
- D. Afonso IV confirma ao concelho de Ponte de Lima o seu foro, bons usos e costumes.
Arquivo Histórico do Município de Ponte de Lima, pergaminho n.º1

Dom Affonsso pela graça de Deus Rey de Portugal e do Algarve a quantos esta carta virem faço saber que eu querendo fazer graça e mercêe ao Concelho de Ponte de Limha outorgo lhi e conffirmo o seu foro que ham fecto e seos boons usos e costumes assy como os ouverom en tenpo dos Reys que ante mi foram. Em testemonho desto dey ao dicto Concelho esta minha carta. Dante en Santarém dez e sete dias de Mayo. El Rey o mandou, Martim Stevez a ffez. Era de mill trezentos sasseenta e quatro anos.

 

António Matos Reis, Ponte de Lima no tempo e no espaço, p. 20-22.

 
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