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Poesias dispersas e inéditas

Publicações
Poesias disperas 1 1024 2500
12 Janeiro 2005

FEIJÓ, António - Poesias dispersas e inéditas. [Porto]: Caixotim, 2005. 281, [7] p. ISBN 972-8651-73

ESGOTADO

  • Preço: €18,00 (inclui o valor da taxa de IVA legal em vigor)
  • Como encomendar: contacte-nos através do e-mail: arquivo@cm-pontedelima.pt
  • Nota: Pode ser adquirida a casa "Poesias completas" e "Poesias dispersas e inéditas" de António Feijó por €45,00.

Prefácio

Antônio Feijó: a poesia quase toda
ou os projetos inacabados

Reunião de dispersas e inéditos

Depois da reedição das Poesias Completas (2004), obra esgotada há vários anos, surge agora o volume complementar das Poesias Dispersas e Inéditas de António Feijó (1859-1917). Trata-se da recolha de um número muito alargado de poemas do autor limieno, nunca antes reunidos em livro. Feita sobretudo a partir de uma pesquisa atenta de periódicos, bem como de manuscritos autógrafos, a publicação da obra poética de Feijó é assim enriquecida com uma edição há muito aguardada pelos leitores do poeta, criteriosamente organizada e anotada.

Como é natural, esta edição levantou interrogações e desafios consideráveis, que convém apresentar sumariamente. Em primeiro lugar, surgiram as dificuldades habituais numa recolha desta natureza. Como outros poetas, também António Feijó colaborou assiduamente em jornais e revistas, álbuns e outras obras coletivas, editadas desde finais de Oitocentos às primeiras décadas do séc. XX. Ora, dispomos, é verdade, de um ou outro trabalho crítico que procura sintetizar essa colaboração em vários géneros de publicações periódicas, com destaque para o trabalho de Júlio de Lemos (1959), embora com alguns erros e muitas lacunas.

Apesar dessas relevantes indicações, nem sempre precisas e bem longe de serem exaustivas, o caminho de identificação de esparsos e inéditos foi auxiliado por outra relevante fonte de informação: a informadíssima correspondência de António Feijó, enriquecida com a publicação das Cartas a Luís de Magalhães (2004), completando um conjunto epistolográfico anterior e já conhecido, embora dirigido a vários destinatários.

Estendendo-se por uma vida inteira, este "velho convívio epistotet" com Luís de Magalhães revela-se imprescindível para acompanhar as reflexões poético-doutrinárias que enformaram a criação poética de Feijó e as vicissitudes da publicação dos vários livros, pelo que a ela recorreremos amiúde, indicando apenas o número de página e a data da carta. Pudemos aí encontrar um conjunto variado de informações sobre a edição de poemas do autor, dispersos por dezenas de publicações periódicas. O problema colocou-se depois, já que nem sempre foi fácil, por variadíssimas razões, alcançar essas fontes.

Seguindo informações mais ou menos seguras, a par de outras mais hipotéticas, em diversas bibliotecas públicas e privadas, as dificuldades encontradas neste longo trabalho de reunião de dispersos e inéditos foram de vária ordem, destacando­ -se: a inexistência simples de variadas publicações; o mau estado de conservação de periódicos, impossibilitando irremediavelmente a sua consulta; e a inexistência de coleções completas de jornais e revistas, com lacunas mais ou menos significativas.

Entre as bibliotecas consultadas, destacam-se as municipais de Ponte de Lima, Viana do Castelo e de Coimbra; as bibliotecas públicas de Braga e do Porto; e ainda a Biblioteca Nacional de Lisboa. Além disso, tivemos o privilégio de consultar algumas boas bibliotecas particulares, em Ponte de Lima, Porto e Condeixa-a-Velha.

Para termos ideia dos obstáculos deste trabalho de pesquisa pelas várias bibliotecas - desenvolvido nos intervalos de outras ocupações, no campo da docência e da investigação -, basta recordar, a título de exemplo, que, sessenta anos antes de nós, já um diligente estudioso da obra de Feijó, Luís Amaro de Oliveira (1945), se deparou com o grande desafio de localizar dispersos e inéditos do poeta. Se a tarefa se mostrasse de fácil execução, outros a teriam concretizado antes, alcançando uma recolha eventualmente mais abrangente. Mais ainda que os impressos em livro, os esparsos e os inéditos estão especial­ mente sujeitos à erosão do tempo e de circunstâncias diversas.

Outra das dificuldades prendeu-se com a tendência de Feijó para usar pseudónimos ou para assinar somente os poemas publicados na imprensa apenas com as iniciais A. F. (ou simplesmente F.). No primeiro caso, do uso do pseudonimato, conhecemos vários - lnácio de Abreu e Lima, Fra Diavolo, Çustavo Cano, Angelo Fovin =, mas subsiste a hipótese de ainda não conseguirmos a identificação de todos. Na segunda situação, do uso das iniciais, deparámo-nos com diversas situações em que alguns poemas assinados por A. F., ou apenas F., poderiam ser da lavra de António Feijó ou de outros autores.

Neste pormenor da autoria, tomemos um exemplo das próprias declarações do poeta. Referindo-se à publicação pré­ via e avulsa de algumas sátiras de Bailatas {1907}, Feijó solicita a Luís de Magalhães para relevar, no próximo prefácio dessa obra, que "muitos desses versos foram publicados em diversos jornais com vários pseudónimos" (carta 450, de 12.x.l905). Ora, este processo de ocultação aplica-se eventualmente a outras composições não reunidas em livro, complicando consideravelmente o processo de reconhecimento.
(...)

J. Cândido Martins