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Culpado em confesso

Publicações
Culpado confesso 1 1024 2500
12 Janeiro 2006

LIMA, Leones J. - Culpado me confesso. Viana do Castelo: Edição do autor, 2006. 222 p. ISBN 989-95025-0-2.

  • Preço: €12,00 (inclui o valor da taxa de IVA legal em vigor)
  • Como encomendar: contacte-nos através do e-mail: arquivo@cm-pontedelima.pt 

Prólogo

Sempre que penso nas razões que me levaram a aceitar um determinado negócio no continente africano, sinto que provavelmente têm razão aqueles que afirmam que sou um grande egoísta. Esta difícil constatação obriga-me a uma análise profunda e dolorosa sobre o meu "eu". O desafio profissional do risco inerente à concretização e ao êxito da tarefa a realizar em terras africanas, juntamente com o desejo de aventuras tipo "as mil e uma noites", que docemente se vivem no continente das muitas lendas, com todo o poder do seu exotismo e mistério, também tiveram influência na resolução de partir. Estes pormenores influenciaram-me a tal ponto que não prestei atenção aos conselhos dos meus familiares e amigos e ao não fazê-lo, provavelmente mudei o rumo da minha vida.

Não sendo minimamente supersticioso, mais convencido fiquei de que deveria partir, depois de uma brincadeira em família com uma tábua "oiya". O resultado da "oiya" indicava que a viagem seria muito negativa. Este resultado atuou como a última gota, para confirmar definitivamente a partida. Sempre tive um toque de espírito de contradição, e uma vez mais remei contra a corrente, errado reconheço.

(Mas que raio, sou apenas humano! Não esperem encontrar, na minha narrativa, indícios de que sou um santo; muito pelo contrário: se o Inferno existe, serei um candidato à direção das suas sobreaquecidas instalações).

A área a visitar estava em guerra e o negócio em si mesmo não era garantia de melhoras significativas nas finanças da minha família; porém existia, em estudo, a possibilidade de outros negócios se concretizarem, o que me dava ânimo para prosseguir. Assim, com esperança de melhores dias e uma curiosidade com sabor a aventura, inclinou-se a balança irrevogavelmente para o lado do caos, do desconhecido. Todos os ingredientes para um desenlace infeliz estavam presentes; o fator "sorte" (embora acredite que a sorte se constrói, passo a passo, e que dá muito trabalho obtê-la) que tantas vezes antes facilitou certos momentos críticos na minha vida familiar, social e profissional, estava e continua a estar de férias sabáticas em todo o continente africano. Assim, o que antes parecia uma simples transação comercial, acabou da maneira mais vil, para quem erradamente não escutou aqueles que acertadamente vaticinavam o pior. Ninguém, entre os meus amigos ou familiares, estava de acordo com esta viagem para terras africanas, e constrangidos diziam-me:
- O teu nível de vida é ótimo, estás muito bem por aqui, tens um bom trabalho como empresário em nome individual, uma boa vivenda com um lindo jardim, cada um de vocês tem um bom carro, tens uma excelente família. Que mais queres?

Nunca soube responder concreta e honestamente a esta pergunta, mas como alguém disse: "Prosseguias o teu próprio caminho".