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Crónicas de um outro tempo. vol. III

Publicações
Cronicas iii 1 1024 2500
24 Janeiro 2006

COSTA, José Ernesto - Crónicas de um outro tempo. vol. III. Ponte de Lima: [s.n.], 2006. 137 p.

  • Preço: €20,00 (inclui o valor da taxa de IVA legal em vigor)
  • Como encomendar: contacte-nos através do e-mail: arquivo@cm-pontedelima.pt 

Prólogo

José Ernesto Costa brinda-nos com outro volume magnífico passando, quase num estilo fotográfico, toda uma série de recordações no domínio da história regional. Com pormenores onde tudo se pode encontrar, seja a nível de pequenos episódios, seja da caracterização de figuras populares, sejam, ainda, narrativas das gentes Limianas, sempre pronto a tecer um comentário, a desenhar uma flor, tal qual criança que só necessita de papel e lápis. Por isso me lembrei de Almada Negreiros: "Pede-se a uma criança. Desenha uma flor. Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direção, outras noutra; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor! As pessoas não acham parecidas essas linhas com as de uma flor!

Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para' o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor. E a criança pôs no papel algumas dessas linhas ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor".

É assim o José Ernesto Costa nestas crónicas de um outro tempo e que nos promete, quiçá, não vai ser a última. São aguarelas de orvalhadas, registos, muita poesia, muitos caminhos de promessas onde por vezes, tal como a criança, não se encontra logo a flor, quem sabe a vida, talvez o sonho... "é que os sonhos também têm as suas asas que foram esvoaçando à nossa volta / Nem todos podemos ouvir o seu voo / É certo mas é dele que é feito este eterno renascer da vida" (Sempre Florbela, in Centenário Nascimento).

São assim os poetas intimistas, sentidos, saudosos... os poetas do amor.

Falta a crítica às fotos de coleção, também, de tempos idos de que o livro é um autêntico recheio. Segredam-me aquele "espírito do povo" naquilo que é mais representativo do povo que somos - sonhos e expectativas - flashes de gritos e sorrisos, esperas e encontros, outras vezes desencontros ... os anseios indispensáveis ao nosso existir.

Fico-me com o Autor nesta sua procura incessante das palavras transportando-as para a escrita atual como forma de afirmar uma obra feita de muita teimosia e de muito amor, de muitas lágrimas, de muita paixão! Assim é a sua prosa em estilo "rimance" a marcar o ritmo cantante da Ribeira no apego à terra, às nossas coisas, a Ponte de Lima.

Presidente da RTAM
Francisco Sampaio