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Boletim Municipal, Nº 10, janeiro de 2000

Boletim Municipal
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Editorial

O objetivo apontado pelo Município para que o Centro Histórico de Ponte de Lima possa alcançar no futuro a classificação pela UNESCO de Património Mundial é algo que não diz respeito apenas à Câmara Municipal, mas deve envolver todas as entidades e pessoas residentes em Ponte de Lima, ou que simplesmente gostam e convivem com este espaço físico e cultural.

Sem dúvida que nos últimos anos foram dados passos muito seguros e positivos no sentido da requalificação urbana de Ponte de Lima, tendo-se chamado a atenção do País para o grande valor cultural e económico que representa o casco histórico da Vila que não quer ser cidade. Mas esse esforço não é só por si suficiente para assegurar o futuro e muito menos garantir a tão almejada classificação de Património da Humanidade.

Para ganhar a aposta é preciso um definitivo empenho da população, sobretudo dos comerciantes e proprietários dos prédios do Centro Histórico. Sem essa vontade nada se conseguirá.

Os avultados investimentos municipais na requalificação urbana, através da renovação e valorização dos arruamentos, espaços públicos e do seu mobiliário urbano, têm de ser acompanhados pelo indispensável complemento respeitante aos particulares. Torna-se imperioso que os prédios sejam recuperados e aproveitados para a dinamização do comércio ou da habitação num dos espaços físicos de maior potencial económico em todo o concelho. É preciso seguir os bons exemplos desenvolvidos noutros locais do País e que hoje estão bem à frente de Ponte de Lima na obtenção de tão importante objetivo, apesar de no seu interior não existir um conjunto tão valioso como seguramente é aquele que hoje define o nosso Centro Histórico.

É preciso que não se olhe só o comportamento do vizinho mas que cada um comece a agir e a dar o exemplo. É preciso não discutir o valor do reclame de acrílico ou do toldo oferecido pelo fornecedor, mas antes se perceba que há maneiras mais baratas e eficazes de chamar a atenção e de promover o produto de cada estabelecimento. Esperar pelo subsídio de recuperação, que talvez nunca chegue, é perder tempo e potencial económico que poderia ajudar ao nosso objetivo e sobretudo contribuir para elevar o nível de vida de cada proprietário.

A valorização do Património e a dinamização económica da propriedade não se compadece com o estado de abandono dos imóveis localizados em algumas artérias da Vila. A maximização do rendimento obriga os proprietários a seguir um de dois caminhos: a recuperação dos imóveis para posterior aproveitamento ou; a venda dos prédios para quem os queira de facto recuperar e colocar a render.

A Câmara Municipal terá que interpretar o seu dever legal de velar pela qualificação do Centro Histórico e assim tentar corrigir as situações que o desqualificam e por arrastamento significam prejuízo para os que apostaram na recuperação urbana como uma forma de criar desenvolvimento e de salvar um Património que não é pertença de ninguém em particular, mas antes um Património da Humanidade.

Daniel Campelo
Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima

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Boletim Municipal, N.º 10, 2000